outubro 13, 2008

Política

Política?! Não muda nem de nome nem de país para país.

Mayara Benatti

Quando ouvimos a palavra "Política", a primeira coisa que nos vem à mente é a de um ramo sujo, picareta, desonesto, mentiroso, calunioso, entre tantas outras adjectivações usadas para qualificar algo ruim.
Surgiu um candidato novo? Com boa escolaridade? Boa aparência? Correto? Até que ponto?Em um primeiro momento chegamos a acreditar que esse candidato, "diferente dos outros", veio para reformular esse sistema banalizado por tantos outros que não fazem jus ao cargo que possuem ou que se propõem a exercer.
Mas, basta vencer, basta ter o poder em suas mãos, para mostrar sua verdadeira identidade, restando a nós apenas a ilusão e o nariz de palhaço.
Retrato pessimista da nossa política? Creio que não. Nossas experiências têm sido tão desanimadoras que não nos resta outra avaliação.
Após ler o jornal O GLOBO de hoje, que trouxe as reportagens dos primeiros debates do segundo turno de São Paulo e do Rio de Janeiro, não poderia deixar de abordar aqui esse assunto.
As trocas de acusações, denúncias e críticas entre os candidatos são tantas, que o debate, cuja finalidade é a de esclarecer as propostas ajudando na decisão do eleitor, acaba possuindo um efeito contrário.
O que assistimos são verdadeiros ringues de luta verbal que não levam a nada concreto, apenas à vergonha.
Os candidatos a prefeitura do Rio de Janeiro, Eduardo Paes do PSDB e Fernando Gabeira do PV, antes de se confrontarem disseram que iriam fazer uma campanha pacifista, sem alfinetadas. O presenciado ontem foi o oposto. O que faltou foi justamente calma e cordialidade. Essa mesma avaliação aplica-se para o debate entre Marta Suplicy do PT e Gilberto Kassab do DEM, ambos candidatos a prefeitura de São Paulo, cujo debate teve que ser interrompido várias vezes pelo jornalista Bóris Casoy ao pedir calma aos candidatos.
Em uma instância mais distante, porém não menos vergonhosa e cabível, chegamos aos Estados Unidos.
Em uma fase difícil de sua campanha, o candidato republicano John McCain e sua vice Sara Palin entram nesse contexto de falta de cordialidade e respeito. Em um artigo escrito por Khaled Hosseini, autor dos best-sellers O caçador de Pipas e A cidade do Sol , publicado hoje no jornal O GLOBO, ele evidencia a postura política desses candidatos. Em comícios acompanhados de gritos: "traidor", "mentiroso", "terrorista" e "matem-no" referindo-se a Obama, nenhum dos dois candidatos mostraram-se éticos na hora de condenar as pessoas que proferiam essas duras palavras.
Como podemos escolher entre candidatos com essas posturas?Quando, realmente, vamos estar diante de uma política correta e verdadeira com o povo, sem construir máscaras?Como podem eles defender um país ou uma cidade melhor, se eles não se fazem melhores?
Existem muitas perguntas para respondermos antes de elegermos um candidato, mas isso não interessa a eles.

4 comentários:

Anônimo disse...

FANTÁSTICO o texto! :O

Anônimo disse...

comentário anterior: Thiago F. Abreu

Juliana disse...

Totalmente verdade, Ma!
Geeente não é que o artigo que mais me chamou atenção hoje foi o do Hosseini? Hahahaha!
Beeeeijo!

Anônimo disse...

Cara, belo texto. Ótimo final =]