outubro 16, 2008

Violência

O prazo de validade é menor do que pensamos

Mayara Benatti

Aonde vamos parar? Ou melhor, será que vamos chegar a algum lugar quando o assunto é a violência urbana? Essas são mais algumas perguntas que estão vagando pelo nosso repertório de questões.
Levanto esse tema após três situações: o seqüestro de uma adolescente de 15 anos pelo ex-namorado em São Paulo; a morte do diretor de Bangu 3 no Rio de Janeiro; e a postura das instâncias do poder municipal e estadual cariocas quanto ao avanço das favelas.
Toda vez que o tema violência é abordado, na cabeça de muitos brasileiros vem a célebre frase: “Pra isso não tem mais jeito”. Discutir o rumo que a nossa vida está tomando devido ao perigo, já se tornou clichê e banal. O que não poderia ocorrer.
Nunca é demais exigir e lutar pelo bem-estar e pela segurança. Fomos presenteados com o poder de viver e sabemos que ele tem prazo de validade, não somos seres imortais, mas não precisamos encurtar esse vencimento. Pelo contrário, devemos zelar por esse direito tão precioso e que já é curto por natureza.
Estamos deixando que essas notícias estampem os jornais, encarando-as como “mais um fato” e com desanimo, até o ponto em que essas notícias saiam dos jornais e estampem nossa família ou amigos próximos. O que antes era visto somente como um fato distante passa a ser um problemão, que incomoda e que precisa ser resolvido às pressas.
O seqüestro da adolescente pelo ex-namorado e a morte do diretor de Bangu 3, são exemplos de que algo está errado, há muito tempo, porque casos bem mais polêmicos e bárbaros já ocorreram e , mesmo assim, com protestos, passeatas pela paz, eles continuam ocorrendo.
O avanço das favelas e a postura negligente dos poderes dispensam comentários. De onde deveria estar vindo a maior parte dos exemplos e esforços, estamos presenciando o contrário. Para que conter o avanço das favelas se na justiça não terá resultado nenhum? É perda de tempo realmente. Como é perda de tempo investir pesadamente na educação, na formação de jovens marginalizados. Se não tem resultado a curto prazo desistimos. Somos acomodados e impacientes.
Não temos que esperar o problema bater em nossa porta para nos indignarmos. Não podemos viver pensando que não acontecerá com a gente. Nós não vivemos em uma redoma de vidro e nem somos avestruzes para colocar a cabeça no buraco e fingir que nada acontece que tudo é maravilhoso.

Um comentário:

Thiago F. Abreu disse...

Ainda temos que ver os policiais civis e militares caindo na porrada.