outubro 09, 2008

Cinema



Última Parada PUC-Rio


Thiago F. Abreu


Rio De Janeiro. A Brazuca promoveu, ontem na UFF e hoje na PUC Rio, a pré-estréia do filme Última Parada 174 de Bruno Barreto. A exibição foi seguida de um debate com o diretor e os atores.
O vôo da criação é um vôo cego, iniciou Bruno. Disse que não se engessou com a experiência como muitos cineastas, porque se arriscou com atores semiprofissionais, fazendo com que todos participassem das oficinas para não haver a distorção entre atores que atuam e atores que incorporam os personagens. 18º filme de sua carreira foi o que levou mais tempo para fazer principalmente por causa do dinheiro. Optou, ainda, por atores pouco conhecidos, porque, segundo ele, o uso de atores com vida privada pública é um grande problema. “Quando assisto aos filmes com a Angelina ou o Brad, levo quarenta minutos para esquecer a vida privada deles”.
O longa é baseado no documentário 174 do Padilha. Porém, seu desejo foi produzir algo que falasse da condição humana sem a espetacularização da violência. - “Quero fazer uma tragédia moderna com base na tragédia clássica”. É sobre uma mãe que perde um filho e um filho que perde a mãe, inferiu. Não quis fazer uma ficção presa à realidade do documentário para tornar a própria realidade algo verossímil.
- “Temos necessidade de ouvir uma história”, afirmou.
Marcello, o Alessandro no filme, mora no Vidigal e integra o grupo Nós do morro. Confessou que foi difícil criar uma identidade com o personagem, porque entrou muito depois no filme. Apesar de passar mal em cenas não porque não conseguia fazê-las, mas porque incorporou o personagem fortemente, disse que gostava de conferir todas as cenas para avaliar e até corrigir o resultado. Para ele foi empolgante e prazeroso pela oportunidade – “Para ter um resultado positivo temos que estar por inteiro”. Desabafou, ainda, sobre a dificuldade em conseguir emprego por ser de comunidade, porque as pessoas olham com outros olhos, com preconceito. Porém, ele acredita que isso seja um fator positivo, porque aumenta a garra em conseguir as coisas.
Michel, o Sandro no filme, chegou quarenta minutos atrasado e falou pouco. Respondendo que ficou constrangido em ficar nu no filme,usou do bom humor: - “Depois com o tempo fui acostumando. Não fiquei bonito?”.
Bruno Barreto encerrou o debate respondendo a uma pergunta sobre a indicação ao Oscar. - “Adoraria ganhar, mas não faço filme pensando nisso, porque não dá certo!”.


Última Parada 174 estará em cartaz a partir do dia 24 de outubro.


Foto: Mayara Bennati

3 comentários:

Anônimo disse...

Eu espero que um dia palestras como essa, sobre filmes como esse, também passem nos lugares da onde saem os protagonistas dessas história. =]

Unknown disse...

foda! parabens, amei!
beijo xenti!

Anônimo disse...

Só acho uma pena que os filmes brasileiros produzidos hoje em dia, tenham como herói bandidos.
Adoro projetos de ONGs em comunidades e acho a salvação das pessoas que lá residem,mas acho péssima a idéia de gastar dinheiro pra eternizar pessoas como o Sandro ou um Jonhny na vida.
Thi, adorei a post e adoro ver como vc tem evoluído na escrita.
Parabéns a vc e aos demais Focas.
Beijos,
Bia Alves.