São raras as vezes em que o Cinema cria obras tão únicas, que servem de inspiração para futuros cineastas e até de modelo de admiração. "12 Homens e uma Sentença" não só faz isso, como também proporciona uma experiência cinematográfica tão rara quanto a forma como ela é contada.
É importante lembrar que o filme tem duas versões, apesar de ambas possuírem uma alma bastante semelhante. A primeira, de 1957, foi dirigida pelo veterano Sidney Lumet, e foi um marco na história do Cinema, além de um exemplo de como a direção e um roteiro impecável podem transformar qualquer estória em um grande filme. A segunda, feita pra TV, foi dirigida pelo também veterano William Friedkin, responsável por grandes títulos como "Operação França", vencedor do Oscar de melhor filme e de "O Exorcista", clássico absoluto do Terror. Ambos os roteiros são de Reginald Rose, dono de um vasto currículo de roteiros de TV.
A estória é simples: o destino de um jovem rapaz acusado de matar o pai à facadas fica nas mãos de doze jurados. Todas as evidências levam a crer que o rapaz é culpado, e a decisão do júri é quase unânime, exceto por um dos jurados. É exatamente esse jurado (interpretado pelos vencedores do Oscar Henry Fonda, na primeira versão, e Jack Lemmon, na segunda) que vai tentar convencer os outros onze a repensarem a decisão. Por mais que nosso "detector de clichês" funcione, a maneira como tudo ocorre toma rumos imprevisíveis e trabalha muito bem as diferenças de cada um dos personagens. Repare que, o filme mal menciona o nome de nenhum deles durante toda a película, e mesmo assim, somos capazes de conhecê-los de uma maneira um tanto profunda, na medida que cada um deles vai se revelando, tudo isso só possível por um elenco nunca longe do excelente e uma direção excepcional.
O aspecto mais único de "12 Homens e uma Sentença", é que toda a ação se passa praticamente dentro de uma sala, com exceção de umas tomadas rápidas no ínicio e fim. Mesmo assim, o filme consegue ser brilhante em seu desenvolvimento, um exemplo de filme. A decisão inteligente da estória, de se ambientar em um dos dias mais quentes do ano, torna-se totalmente útil para a trama, o que comprova que nada é em vão na película. Repare que a medida que o nível de tensão aumente, o calor parece afetar ainda mais as personagens.
Ao chegar no fim, a inteligência e competência da obra é definitiva quando a mesma consegue causar, em poucos segundos, a empatia da platéia em uma das personagens que mais gerava antipatia durante os quase 100 minutos de projeção. Como alcançar tal fato, sem ser piega ou melodramático, como boa parte dos filmes que tentam fazer o mesmo? "12 Homens e uma Sentença" consegue isso, sendo uma das maiores "aulas de Cinema" que podem ser encontradas, e como todo bom Cinema, é também uma aula sobre os aspectos mais profundos da natureza humana.
Um comentário:
Seu texto é leve,isso é fantástico!
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